quarta-feira, 8 de junho de 2011

Johnny, o Garoto Violeta


Jônatas Renato vive de música. Prefere ser chamado de Johnny e ainda não sabe se é bissexual. Tem 16 anos e se pudesse fazer plástica, aumentaria a curvinha entre o nariz e a testa. É mudo e não larga seu violão. Johnny ama Davi, um cadeirante hetero, e fará de tudo para mostrar que seu amor não é nenhuma vergonha. Para ele, quando se ama a essência, todas as limitações desaparecem.

terça-feira, 7 de junho de 2011

J.P.Zinho, o Garoto Azul


José Paulo prefere ser chamado de J.P.Zinho. É uma mistura de clubber e emo e só usa calça bem apertada. Tem orgulho das culturas indígenas, mas isso não quer dizer que ele goste de ganhar espelhos de presente ou fazer arte em cerâmica. Também tem orgulho de ser heterossexual e não entende por que as pessoas dizem que ele é gay – e também não entende por que ser gay é um problema para essas pessoas.

Tim, o Garoto Verde


Sebastian, ou Tim, tem 15 anos, é virgem e não tem pressa! Adora a natureza e gosta de Madonna. É católico, mas desconfia da Bíblia e de alguns padres. Tem orelhas grandes, usa óculos grandes e tem grandes problemas por ser ruivo. É tímido e namorou apenas uma vez. Mas terminou em pouco tempo, ao descobrir que seu ex-namorado queria apenas ver se ele tinha pelinhos ruivos embaixo da cueca.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Lee, o Garoto Amarelo


Fábio Lee Jr, ou apenas Lee, também é conhecido como Beija-Flor. Tem 15 anos, é negro, e sente-se preso em vários lugares – pelos professores na escola, pelo pai em casa, e desconfia de todos na internet. Luta capoeira e tem fascínio pela justiça e manutenção da ordem, por isso quer ser policial. É alto, magro e acha que nunca vai conseguir encontrar menino homossexual ativo para namorar.

Jenny, o Garoto Laranja



Genivaldo, ou Jenny, tem 16 anos e acabou de chegar de outra escola. Tem problemas com a balança e controla tudo o que come. É viciado por balinhas dietéticas sabor artificial de laranja, riquíssimas em vitamina C. Conhece tudo de gírias gays, maquiagem e balé. Tem a pele muito clara e sente-se desbotado perto de outras pessoas. Suas maiores preocupações são: manter o bronzeado, o peso e o close.

Rubens, o Garoto Vermelho


Rubens tem 16 anos, usa aparelho com borrachinha nos dentes e quase não liga mais por ser chamado de boca de lata. Ele pensa muito, e uma das coisas que mais pensa é sobre sexo. Sua cabeça – ou cabeças – tenta entender porque o sexo provoca tantos problemas. Viver sem sexo, para ele, é viver sem fogo. Odeia ser peludinho e ter sobrancelhas grossas. É bom em jogos de futebol na escola e se orgulha por ser punheteiro.

Dia 10 estréia “O Ataque dos Garotos”

Cinco séculos da Cultura Gay Brasileira e um monte de beesheenhas escorrendo pelo ladrilho!



Mas até lá, ainda é tempo de conhecer os personagens. Aos poucos você poderá acompanhar quem são esses adolescentes que lutam contra o bullying homofóbico na luta verde-amarela mais colorida da história!!

Aviso: a blog-série será divulgada aqui no “VireiLobisomem”, mas terá um site só para ela a partir do dia 10. É que ainda num deu tempo de montar ‘0.0

Até lá!

Dia 10 estréia “O Ataque dos Garotos”

Cinco séculos da Cultura Gay Brasileira e um monte de beesheenhas escorrendo pelo ladrilho!

Mas até lá, ainda é tempo de conhecer os personagens. Aos poucos você poderá acompanhar quem são esses adolescentes que lutam contra o bullying homofóbico na luta verde-amarela mais colorida da história!!

Aviso: a blog-série será divulgada aqui no “VireiLobisomem”, mas terá um site só para ela a partir do dia 10. È que ainda num deu tempo de montar ‘0.0

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Olá gente que de vez em quando bizóia meu blog

Como deu pra perceber, fiquei um tempinho sem postar. Mas tem uma explicação, sim senhor, sim senhora, meu compadre.

Lembra daquela blog-novela que eu estava escrevendo? Pois é, estou terminando. Parei um pouco com os posts aqui no blog para me dedicar a pesquisas e elaborar uma blog-novela que tem: drama, comédia, aventura, romance, tapa na cara, tiroteio, suspense, zumbis, sexo (afinal, é produto nacional!!), beijo na boca, gente famosa, luta livre no danoninho, capoeira com lubrificante a base d’água, camisinha faixa preta, dever de casa, dançarinas de strip-tease, gogoboys-nerds, um cachorro falante e uma menina prodígio (os dois últimos itens são mentira), mas o principal é que os personagens são quase-que-praticamente-reais porque eles meio que existiram e/ou existem...

Até espalhei em alguns lugares deste nosso mundo redondo meio achatado nos cantos que a estréia seria hoje, dia 26 de maio de 2011. Mas, devido à alteração de alguns capítulos e a um capítulo especial (que não é de natal) o primeiro episódio irá para sua telinha no dia 10 de junho – o mês do orgulho gay.

O nome da novela é “O Ataque dos Garotos” e nos próximos dias, antes do dia 10, alguns personagens darão um close por aqui.

Então, a gente se vê por aki!

Devido há inexistência de verba, eu sou o núcleo de arte inteiro. Então por enquanto fiquem com esse painel. Depois melhora...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Meu nome é Rubens, tenho 16 anos e uma vida bem normal. Hoje fiz tudo para ser perfeito. Aliás, fiz tudo o que deveria fazer para se orgulharem de mim. Fui um excelente filho e demonstrei boa educação, um ótimo irmão, um namorado fantástico, um amigo maravilhoso, um grande aluno, um craque no futebol. Faço tudo para ser perfeito. Ontem marquei uma consulta médica para as quatro da tarde de hoje, num consultório no centro da cidade. Apertei o botão do 24° andar. Cheguei perto da janela e pulei. Antes eu pesquisei para me certificar de que morreria pulando do 24° andar. Como eu disse, fiz de tudo para ser perfeito... E o google não falhou na pesquisa.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O que Harry Potter, Percy Jackson e Edward Cullen têm a ver com gays?

Eles são diferentes. Além de serem diferentes entre eles, também são diferentes da maior parte da sociedade (ou daquilo que a sociedade fala que é). Sempre fui fanático por Alice no País das Maravilhas, Crônicas de Nárnia, Peter Pan e outros seres fantásticos em países imaginários. Mas a história do menino bruxo, do carinha semi-deus e do moço vampiro nunca me atraíram o suficiente para seus livros e filmes. Então, cheguei a essas conclusões a partir da conversa com alguns amigos e coisas que vi na mídia.

Aliás, vou dar a conclusão agora, no começo do texto: histórias de adolescentes incompreendidos por uma sociedade preconceituosa dão lucro.


Sobre meninos e lobos... e bruxos, semi-deuses e vampiros


Jacob Black - Entre um bruxo, um semi-deus e um vampiro, não adianta, eu prefiro o lobisomem
 

Harry, Edward e Percy: todos eles são adolescentes. E todo mundo está entojado de ouvir que é na adolescência que descobrimos as coisas mais importantes sobre nós mesmos. Essa foi a premissa das histórias dos X-Men, com poderes e mutações surgindo na puberdade.

Foi na adolescência que a maior parte dos meus amigos gays perceberam ou admitiram que eram gays. Eles eram os bruxos, os semi-deuses, os vampiros, os mutantes. Quem foi gay dentro do armário na adolescência sabe do que estou falando.

Esses três personagens são meio que obrigados a ficarem em bando com seus “iguais”, levando uma vida clandestina e ainda por cima têm que ouvir um monte de porcaria: bruxos são do mal, semi-deuses não existem e vampiros são monstros.



Sobre Harry Potter


Encantado - Harry Potter numa fotinha casual para não tirar a atenção do leitor. A foto para quem não se distrai está em http://maryt.files.wordpress.com/2007/07/dan-saddle3.jpg
 
Potter é um bruxo. Ele é diferente dos trouxas – nos livros e filmes da série, “trouxas” são as pessoas que não têm poderes mágicos. Faz muito tempo que assisti ao primeiro filme, mas pelo que me lembro, Harry era meio mal-tratado pela família adotiva dele, algo a ver com um armário embaixo da escada. DENTRO DO ARMÁRIO. Tipo, os trouxas – ou as pessoas normais – pisavam nele ao subirem e descerem a escada. Quer símbolo de humilhação maior do que pessoas pisando em você??? Esta pergunta foi retórica, acho cuspida na cara e chute na bunda mais humilhantes...

Adolescentes gays também têm pessoas pisando neles – bullying homofóbico é um exemplo, entre outras humilhações maiores. Quando eu era adolescente, e gay, tinha que fazer mágica pra ninguém descobrir sobre mim – eu tinha medo de que eu fosse punido por ser gay, como ser trancado no armário embaixo de uma escada e impedido de sair de lá pra sempre. Eu precisava ficar invisível com meu namorado, inventar poções pra controlar meu tesão, e ter muita, mas muita curiosidade sobre varinhas e vassouras e jamais demonstrar isso.

Enfim, Harry Potter vai para Hogwarts, uma mistura de universo paralelo com instituição educacional para bruxos, em que trouxas não entram. Pra mim, isso é segregação pura. Resumindo: gays são bruxos, e heteros são trouxas. (brincadeirinha)



Sobre Percy Jackson


Semi-tudo - Semi-Deus meio bonitinho que não se encaixa no mundo real, pode matar monstros mas não tem autorização para dirigir

Jackson é semi-deus. Filho de uma mortal junto com o deus dos mares na mitologia grega, Poseidon – ou PoseiBom, vamos ser francos né, aquele ator é um deus. Não li nenhum dos livros, apenas assisti ao filme (e fiquei sabendo que o filme é o equivalente ao resumo da sinopse de um tweet sobre os livros)....

Ele é um menino que descobre ser semi-deus e vai pra um acampamento que também fica num universo paralelo. Mais uma segregação. Não tenho muito que falar de Percy, mas ele é outro exemplo de que história de adolescentes diferentes e incompreendidos dá certo. E a diferença dele também se dá na igualdade: ele é um dos milhares de casos de garoto-problema, expulso de um monte de escolas, descrito como um aluno disléxico, hiperativo, com péssimas notas e rendimento escolar. Mas esses “problemas” são, na verdade, parte de seus poderes. Traduzindo: as escolas deram atenção àquilo que julgaram ser defeitos, e não deram valor para suas qualidades.

É comum ouvir o comentário de que alunos são levados a mudarem de escola porque não se adaptaram. Muitas vezes, a escola é que não se esforçou ou soube identificar as qualidades e necessidades do aluno. A evasão escolar de adolescentes com déficit de atenção ou dislexia é grande, assim como a evasão por alunos homossexuais.



Sobre Edward Cullen


Amaldiçoado - Morto-vivo, geladinho, magro com cara de chapado, louco por um pescoço e virgem assumido


Cullen é o mais polêmico do trio. Ao mesmo tempo em que conseguiu muitos admiradores por ser um vampiro bonzinho, também decepcionou os fãs de vampiros obrigatoriamente malvados. Ame ou odeie. Em minha opinião, dos três, ele é o que mais sofre pela sua condição a ponto de dizer constantemente que é mau, que não tem alma e lamentar por isso. Ele não só acredita na sua natureza má como não valoriza seu esforço para ser bom.

Ele e sua família, ou seja lá o que é aquele grupo, precisam manter as aparências e fazer um esforço imenso para parecem humanos, com alma e do bem. Alguma similaridade com adolescentes gays que são obrigados a parecem heteros para não serem julgados como pecadores, doentes ou perturbados? Alguns deles chegam a se punir por serem gays e, assim como Edward, tratam isso como uma maldição e não desejam isso para aqueles que amam.

Edward e os outros vampiros bonzinhos se escondem porque na cabeça das “pessoas com almas” vampiros são sempre maus. Homossexuais têm dificuldade em viver suas identidades sexuais com medo de serem tratados como vampiros maus.



O que me deixa mais curioso é que esses filmes mostram uma sociedade perversa e sem poderes, em relação a Harry Potter; preconceituosa e ingênua em relação a Percy Jackson; e bobinha e manipuladora, em relação a Edward Cullen. O público está se identificando com as diferenças dos personagens ou com a similaridade dos humanos trouxas com alma?